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Beber é Pecado? A Origem do Mito e o Puritanismo à Luz da Doutrina Católica

Índice

Essa ideia de afirmar que bebidas alcoólicas é um pecado, que a pessoa vai para o inferno por causa disso, tem raízes históricas e culturais que não estão alinhadas com a doutrina da Igreja Católica.

Todas essas afirmações existem e resistem no mundo devido à influência do puritanismo, um movimento herético que faz interpretações rigorosas das Escrituras, ensinando uma vida de extremismo para se tornar puro.

Para nós, católicos, filhos da única Igreja, se apoiar na ideia puritana não é apenas incompatível com os ensinamentos da Igreja, mas também desconsidera a Tradição, Magistério e Sagradas Escrituras, os quais são pilares que sustentam nossa fé.

1. A Origem da Afirmação de que Beber é Pecado 

A ideia de que o consumo de álcool é pecado, seja ele moderado ou não, não encontra embasamento na bíblia, porém, a livre interpretação, o qual é errônea, fez e faz com que os puritanos usem excessivamente trechos para propagar suas ideologias. Por exemplo:

  • Em Efésios 5, 18, São Paulo nos adverte contra a embriaguez, porém, a raiz cultural dessa advertência não proíbe o consumo de álcool, muito pelo contrário, fala sobre o excesso de.
  • Em Provérbios 20, 1 descreve os perigos do vinho como algo “zombador”, entretanto em nenhum momento condena seu uso moderado como os puritanos tentam afirmar como essa passagem, pois o vinho é presente de Deus, não o contrário.

O movimento protestante puritano, que surge no século XVI e XVII, tinha como missão a busca por uma vida “imaculada”, “pura”, e viam o vinho ou qualquer outra forma de álcool como uma corrupção do homem. O problema é que isso vai contra o uso tradicional e legítimo do vinho, presente tanto na cultura judaica quanto católica.

2. O Puritanismo e Sua Influência

O movimento protestante puritano se originou na Inglaterra no final do século XVI. Faz parte das ideias deles, a defesa de uma vida regrada e rígida, e para tal, usam interpretações literais. O uso literal da bíblia implica várias coisas, como acreditar quem uma serpente (animal) falou com Eva, não o próprio Satanás, ou achar que Jesus ao dizer “quem não tem pecado atire a primeira pedra”, estaria dizendo que Ele o poderia, por nunca pecar, ou seja: se eu não tenho pecados, logo posso apedrejar.

Eles rejeitam a ideia de celebrações que incluíam o consumo de álcool, músicas ou danças, os adventistas inclusive absorveram várias ideias absurdas do puritanismo.

O Brasil, por usa vez, acabou tendo forte influência do puritanismo por se espelhar bastante na cultura dos Estados Unidos, pois a abordagem puritana se popularizou com maior força por lá, e de forma até mais rádical, que culminou no movimento da Proibição (lei seca) no início do século XX. O consumo e a venda de álcool foram ilegalizados em várias regiões, com a “propaganda publicitária” que promovia a ideia de que o álcool em si era algo moralmente condenável e destruiria o país.

O resultado disso foi um colapso econômico e uma onda de crimes no país, que resultou na remoção da lei.

O protestantismo brasileiro tem fortes ligações com o protestantismo estadunidense, dai que surge um sentimento puritano forte em várias seitas protestantes, e todas que beberam nas pregações de pastores estadunidenses, acabaram trazendo consigo a condenação ao consumo de bebidas alcoólicas, esse é o motivo pelo qual algumas das seitas protestantes no Brasil não proíbem e outras sim.

A ideia puritana começa a entrar como praga no catolicismo com o surgimento do pentecostalismo, que mais tarde adentra na Igreja por meio dos movimentos ditos carismáticos, que nada mais são que um protestantismo pentecostal fantasiado de catolicismo. Sobre isso, posso falar noutro artigo.

3. Por Que um Católico Não Pode Ser Puritano

O puritanismo é incompatível com a nossa doutrina por várias razões:

a) A Tradição Católica Valoriza a Moderação

A Igreja Católica sempre reconheceu o vinho como parte legítima da cultura e da fé. O próprio Jesus usou o vinho em seu primeiro milagre (São João 2, 1-11) e o incluiu na Última Ceia como símbolo de sua Nova Aliança (São Mateus 26, 27-29). O problema não está no vinho, mas no excesso, conforme ensinado na virtude da temperança.

b) Celebrar a Vida é Parte da Nossa Fé 

O puritanismo, por rejeitar qualquer tipo de celebração, contrasta com a visão católica, onde aprendemos que a vida é um dom de Deus, e que pode ser festejada. Festividades, incluindo o uso moderado do álcool, refletem a alegria da criação e o agradecimento a Deus.

4. A Temperança: O Caminho do Católico

O Catecismo da Igreja Católica, que todo católico deveria ler, nos ensina que o cristão deve viver a virtude da temperança, que “modera a atração dos prazeres e proporciona equilíbrio no uso dos bens criados” (CIC, 1809). Isso significa que o consumo de álcool, quando feito com moderação, é perfeitamente legítimo e até mesmo uma expressão de gratidão pela generosidade divina.

Além disso, somos chamados a discernir situações em que a caridade pede abstinência, isto é, precisamos evitar o álcool diante de pessoas que são vulneráveis ao abuso ou em ocasiões em que seu consumo possa causar escândalo.

Conclusão

A afirmação de que beber é pecado é fruto de uma interpretação moralista e puritana que não encontra base na doutrina católica. Enquanto o puritanismo rejeita o vinho como algo intrinsecamente pecaminoso, reconhecemos como um presente de Deus, quando usado equilibradamente.

A vida cristã não é marcada por uma negação rigorosa dos prazeres, mas pelo cultivo da moderação, do equilíbrio e da celebração da vida como uma expressão do amor divino.

Sobre Nós

Somos um apostolado iniciado em 2012 com a proposta de catequizar católicos nos meios digitais, para amarem sua fé e compreender os ensinamentos da Santa Igreja e de Jesus Cristo.

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